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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Era uma vez...

Muitos medos a gente tem 
e outros a gente não tem.
Os medos são como olhos de gato
 brilhando no escuro.
Roseana Murray



Muito embora nossos anseios tenham a ver com a busca da realidade para que dela nos “apropriemos”, é na fantasia que podemos viver reais sensibilidades. 

A fantasia nos convida a aquilo que no mundo externo não ousamos tecer ou enfrentar como realidade, então podemos abrigar tudo isso em nossos sonhos ou, como neste caso, em um belo livro. Livros e sonhos podem abarcar os poderes e medos que temos escondidos: conversar com baleias, sentir a existência de seres inquietantes, andar sobre águas, lutar com bruxas ou gigantes de um olho só, falar línguas esquisitas, voar como passarinhos... 

A história escrita por Keith McGowan, O Manual da Bruxa para Cozinhar Crianças, faz uma deliciosa sátira aos valores e preceitos de um mundo muito real. Numa narrativa que mistura suspense e humor somos apresentados a uma bruxa e suas angústias com uma vida moderna que, com certeza, tem muito a nos surpreender,  emocionar e ensinar. Então, era uma vez...



1. O significado de escutar histórias é tão amplo... É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, das dificuldades, dos impasses, das soluções, que todos atravessamos e vivemos, de um jeito ou de outro, através dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados (ou não), resolvidos (ou não) pelos personagens de cada história (cada um a seu modo...). E assim esclarecer melhor os nossos ou encontrar um caminho possível para a resolução deles... É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o medo, a alegria, o pavor, a impotência, a insegurança e tantas outras mais; e viver profundamente isso tudo que as narrativas provocam e suscitam em quem as ouve ou as lê, com toda a amplitude, significância e verdade que cada uma delas faz (ou não) brotar...
Manual da Bruxa para Cozinhar Crianças nos faz pensar em muitas coisas, a principal delas diz respeito à forma como, algumas vezes, os adultos tratam as crianças. Logo no prólogo do livro, Holladerry diz:

“Alguns dos seus pais disse recentemente uma das seguintes frases: ‘estou chegando ao limite da minha paciência’, ‘Cansei do seu comportamento’ ou, a mais importante de todas: ‘Não aguento mais’?! Se as respostas para essas perguntas forem: sim, não, muitas vezes e sim, então é melhor você pensar em mudar o seu jeito de ser”.

A bruxa faz um alerta aos pequenos, porque esses são os sinais que levam os pais a lhe entregar seus filhos. Na vida real, os pais falam assim, quando já perderam a  paciência, mas na verdade amam seus filhos e os protegem como ninguém. No entanto, ouvir frases como essas faz doer, não é mesmo?  Se repetidas muitas vezes, elas machucam de verdade. Como você reage a impaciência ou nervosismo dos seus pais? O que costuma fazer nesses momentos para acalmá-los? Conversa com eles ou grita? Como devemos agir para não sofrermos mais ainda em situações como essas?


"Ouvir dos seus pais que já estão cansados de você, faz doer!... Mas eu reajo a impaciência e ao nervosismo dos meus pais não é gritando ou esperneando.  Nada se resolve assim. Nessas situações eu costumo conversar..."
Luana, 4º Ano A



"Não gosto muito do nervosismo dos meus pais, mas nunca os respondo. Eu abaixo a cabeça e espero um pouco e saio para o meu quarto. Lá ponho o rosto no travesseiro e começo a chorar. É só eu colocar minha cabeça no travesseiro que eles vem conversar comigo. Nunca brigamos de gritar ou algo assim. Acho que em situações como essas, devemos pensar na reação dos nossos pais..."
Ana Beatriz, 4º Ano A



"Eu fico bravo e irritado. Minha mãe grita, mas sei que ela não gosta de fazer isso. Para me acalmar eu conto até 10 e respiro fundo..."
Daniel, 4º Ano A


"O melhor é conversar e assumir os seus atos e dizer assim: - Me perdoa do fundo do meu coração..."
Gabriel, 4º Ano A


2. Contar  histórias remonta os princípios da comunicação do ser humano. Na antiguidade era a forma pela qual o conhecimento era adquirido. Os nômades, viajantes, andarilhos e todos os tipos de pessoas viajantes e viajadas, sempre narravam suas histórias, suas aventuras e andanças pelo mundo, aos ouvintes que se interessavam por tais fatos e narrativas, e através delas, absorviam o que lhes interessava, fazendo uso dessa informação da maneira que mais pertinente. Nos dias atuais, uma história pode ser uma atividade ligada a diversos afazeres e voltada para momentos diferentes, porém ainda com o mesmo objetivo específico: que é de se ter um momento de interação com o autor, de modo tal que através deste contato, as histórias possam imprimir algum sentido direto na vida de quem lê ou ouve. É um meio interativo para a caracterização do seu espaço, fazendo com que  o leitor possa fazer ligações com seu cotidiano. Dessa forma, o ajuda na percepção da realidade e a agir para modificar o que deseja. Nosso pequeno herói  Sol é um menino inteligente e estudioso, do tipo que sonha em ganhar a feira de ciências na escola e usa a lógica para resolver seus problemas. Já Connie é moleca, espontânea e inconsequente, ela quer mais é se divertir. Na história, ouve momentos que você se identificou com as personagens ou com a própria história? Ter contato com essa história despertou em você o desejo de produzir alguma mudança na sua realidade?    

"Em vários momentos eu me identifiquei com os personagens. E agora penso ainda mais em tomar cuidado com as pessoas com que me relaciono."
Ana Júla, 4º Ano A




3. Essa semana, fomos surpreendidos por reportagens que anunciaram a morte de uma criança de  forma horrenda. Depois de lermos e refletirmos algumas delas, responda:

3.1 Para muitos, Bernardo foi vítima da ganância da sua  madrasta... Quando coisas tão terríveis acontecem, sempre desejamos explicações para entendermos o por quê. Muitos acusam e responsabilizam a falta de fé, a televisão, os games, os filmes de ação, a liberalidade dos costumes, a corrupção, os distúrbios psíquicos, o consumismo, a internet, o narcotráfico, o individualismo etc. etc. etc... Como você avalia acontecimentos como esse? Para você, por que a vida anda tão desvalorizada?

"Eu avalio acontecimentos como esse da seguinte forma, as pessoas que não querem os seus filhos matam ou abandonam pelas ruas e isso é absurdo!"
Luana, 4º Ano A


3.2 Ao lermos o texto ficamos assustados diante de um acontecimento tão terrível.  Mas se coisas assim acontecem precisamos pensar e conversar sobre elas, você não acha? Quando pais, figura que associamos a amor, acolhimento e proteção ferem e matam como as mais perversas bruxas de histórias de fantasias, fica muito difícil de acreditar que é real. Um dos textos que lemos termina dizendo que precisamos dar voz às crianças. Então, se expresse. Diga o que desejar sobre tudo que leu e  ouviu. Vale também desenhar.

"Acontecimentos como esse nos assusta. É um absurdo. O menino era um ser humano como eu. Hoje a vida anda tão desvalorizada que pessoas acham normal tirar a vida do seu filho, do seu amigo ou de alguém..."
João Pedro Calassa, 4º Ano A


"Eu não consigo entender como pessoas podem desvalorizar tanto uma vida. Sei que o dinheiro é bom mas pode adoecer pessoas e as levarem a fazer coisas terríveis."
Sara, 5º Ano A


"A negligência está aumentando cada vez mais no Brasil. Há uns dias atrás deparei-me com o caso do menino Bernardo, uma criança que sofreu negligência do pai e da madrasta. A negligência pode acontecer de várias formas: falta de amparo, afeto, assistência médica e higiene. Eu fico muito impressionada com a negligência e com a violência. O nosso país deveria escutar mais a voz das crianças."
Marina, 5º Ano A



"A vida anda desvalorizada porque na cabeça das pessoas o dinheiro pode tudo. Nós estamos nos distanciando de nós mesmos. É difícil avaliar esse acontecimento porque é muito, muito triste.
Hélio Henrique, 5º Ano A


"Saber que os pais estão matando os seus filhos dá muito medo. Sei que isso nunca acontecerá comigo, mas, infelizmente, nem todas as crianças podem ter essa certeza. Matar, humilhar ou rejeitar uma criança é tirar do mundo uma vida sonhadora, cantante, alegre, brincalhona e sensível..."
Sara, 5º Ano A

4. O livro, para os pequenos leitores, hoje como ontem, não é só texto. A ilustração gráfica dos livros infantis é essencial à nossa alfabetização visual. A cor, a sutileza das nuances e das variações, a textura, a linha, o espaço, o ritmo, a forma como os elementos se compõem dentro do desenho, a dinâmica da imagem e da história que está sendo contada. Nesse nosso admirável mundo contemporâneo, três quartos do que recebemos como informação, no nosso intenso e múltiplo dia a dia, vêm da visão: cinema, televisão, outdoors, banners, arte hip hop das ruas, a tela do computador,  a nova arquitetura urbana; e em meio a tudo isso, muito lixo visual. Em um mundo em que tudo é subjugado pela visualidade, a palavra escrita também pode se perder. Por isso, a função da ilustração gráfica do livro infantil, em nosso tempo, é sobretudo o de nos ajudar a não sucumbir à massificação da imagem, desafiar o espírito, acender a curiosidade, incitar ao saber. Enfim, nos estimular  a encontrar dentro de nós mesmos os valores estéticos que vão dar conteúdo e sentido à nossa vida. Assim, ao  olharmos uma obra de arte, saberemos encontrar nela um novo estado de alma, um novo significado, uma nova compreensão de nós mesmos e dos outros. 
A ilustração de Yoko Tanaka, pode passar despercebida para muitos olhos massificados, mas não para você, leitor sensível e atento. Percorra novamente às páginas ilustradas do seu livro e perceba a suavidade e o lirismo nos traços da artista. Um verdadeiro tratado sobre delicadeza humana, inocência e solidão... 




Registre suas sensações depois do passeio pelas ilustrações do livro.

"As imagens provocam um pouco de medo. Fazem suspense e 'dão um frio na barriga'... As cores escuras e os traços delicados dão tristeza..."
João Pedro Santos, 4º Ano



Ilustração: Yoko Tanaka - Manoel da Bruxa para cozinhar crianças
 e desenhos dos alunos do 4º Ano
Texto:  fragmentos da Atividade Literária:
" Manual da bruxa para cozinhar crianças" -  4º Ano
 e fragmentos da Atividade Extra do 5º ano