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quinta-feira, 13 de julho de 2017

As Pequenas Reflexões sobre as Grandes Questões Humanas

Cara criança,
Certamente você já escutou diversas histórias sobre a origem do mundo. Existe uma história que os deuses fizeram o mundo incompletos. Não o fizeram assim por serem preguiçosos, mas por princípio, por convicção, porque consideravam que “uns têm de começar, mas terminar é trabalho de todos”. O caso é que os deuses deixaram o mundo com pendências. Colocaram as pendências numa trouxa para poderem reconhecer se uma nova criação correspondia àquelas pendências por eles determinadas, ou não. Mas um coelho, inconformado com a criação dos deuses, fez um buraco na trouxa. As pendências caíram. Depois o vento fez com que elas se espalhassem pelo mundo todo. Como saber, então, se o que encontramos é uma pendência ou algo novo que está nascendo no mundo? Dizem os deuses que “uma pendência é que cada qual se encontre a si mesmo”, e a ela se relacionam todas as demais pendências.
Eram deuses pouco onipotentes, perfeitos ou donos de certezas. Eles perceberam que a construção de um mundo exige a participação de todos os que o habitam, que a criação diz respeito a um movimento inicial que instaura o novo e abre as portas para que os outros participem dessa criação. Também percebemos que não há criação individual sem a intervenção dos outros.
Assim sendo, desperte em você, menino vivaz, reflexões necessárias para a vida, questões sobre a sua existência e quão importante ela é para a criação de um mundo melhor, pois sabemos que o sucesso da criação não está no brilhantismo individual, ele talvez esteja em que possamos dizer, no final, que todos fizemos, que todos contribuímos juntos, uns com os outros, em amor.


Dizem os deuses que a principal pendência “é que cada um se encontre a si mesmo” e a esta pendência, se relacionam todas as demais. Encontrar a si mesmo... Difícil tarefa! Mas então: o que significa encontrar-se? Em verdade, nos encontramos em muitas coisas: num amigo, numa brincadeira, numa prece, contemplando uma obra de arte etc. E você? Sabe onde se encontra? 

"Eu me encontro quando estou desenhando. Acho revigorante e prazeroso. Quando estou desenhando me sinto vivo." 
(Davi, 5º Ano A)

"Eu me encontro no teatro porque no teatro posso expressar várias emoções: raiva, medo, nojo... No teatro eu consigo ser feliz e triste." 
(Bruno, 5º Ano A)

"Eu me encontro dentro da música. Na música, posso me expressar e me acho dentro das melodias."
(Nicoly, 5º Ano A)

O ser humano existe. Isto é evidente. Porém, às vezes, faz uma pausa, olha para si mesmo com um grande espanto e pergunta: - Por que é que estou aqui? Por que você vive?

"Vivemos para ser feliz e não para enlouquecer pensando nos detalhes." 
(Sophia, 4º Ano B) 


"Eu vivo porque todas as pessoas tem uma pequena grande importância no mundo. Se um de nós não viver, faz diferença no que acontece agora. Todos nós temos importância."
(Marcos Henrique, 4º Ano B)


"Nós estamos aqui para aprender a evoluir." 
(Bruna, 4º Ano A)


Todos os dias levantamos, comemos, fazemos as nossas coisas e continuamos a existir. Por quê? O que você pensa e sente sobre a sua rotina?

"Penso que minha rotina é ruim. Me sinto um empresário bem formal por ser tão exigido."
(André, 5º Ano A)

"Eu penso que é ruim a minha rotina porque todos os dias ela se repete! Todos os dias eu acordo, vou para a escola, almoço e depois fico parado, sem fazer nada... Depois começa tudo de novo!"
 (Gabriel Marques, 5º Ano A)



Não basta vivenciar, é preciso expressar a vivência, pois é através da linguagem que conferimos sentido ao viver. Fernando Pessoa nos conta de sua experiência no poema "O Meu Olhar" e diz que sente-se “nascido a cada momento para a eterna novidade do Mundo…”. Será que o mundo tem eternas novidades? Para você, o que é “nascer para as novidades desse mundo”?


"O mundo tem eternas novidades porque sempre, em todo momento, nasce uma pessoa..."
(Bruna, 4º Ano A)


A cadeia de ressentimentos pode não ter fim quando uma vitimização qualquer funciona como justificativa para um ato de violência. É a apoteose dos agressores que se sentem vítimas. Afinal, quem é a vítima? É imaginável a hipótese de que o agressor, pode em outro tempo, ter sido agredido? E mais: é possível que a pessoa que hoje se apresenta como vítima se torne o agressor de amanhã? 
"Com certeza a pessoa que agride hoje foi agredida no passado. Talvez o agressor não tenha raiva de quem ele agride, mas sim, de outra coisa. Temos que aprender a olhar a raiva por trás da raiva."  
(Bruna, 4º Ano A)
 


Nietzsche escreveu:A felicidade é frágil e volátil, pois, só é possível senti-la em certos momentos. Na verdade, se pudéssemos vivenciá-la de forma ininterrupta, ela perderia o valor, uma vez que só percebemos que somos felizes por comparação”. Então, enquanto vivemos, usufruímos e valorizamos de momentos de felicidade porque também experimentamos tempos de tristeza, de angústia, preocupação, indecisão, vergonha... Leia como o poeta Mário Prata descreve esses sentimentos que todo ser humano experimenta durante a vida:

SAUDADE é quando, o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue;
LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo;
ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego;
PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento;
INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa;
CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára;
INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido;
PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista;
VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora;
ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;
INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento;
SENTIMENTO é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado;
RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;
TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração;
FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma;
AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros;
CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia;
LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário;
RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato;
VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele;
PAIXÃO é quando apesar da palavra 'perigo' o desejo chega e entra;
AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.


Nossas crianças-poetas também retrataram de forma poética suas percepções sobre os sentimentos humanos.

"Às vezes, eu fico triste quando me lembro da minha bisa. Eu sinto faltas e o meu coração dói."
(Eloah, 4º Ano A)


"Eu me sinto liberta, é uma sensação de viver."
(Fernanda, 4º Ano B)


"A vida tem desafios, a vida não é só um dia... São grandes sentimentos: tristeza, alegria, raiva, medo... E nossa rotina pode ter coisas que a vida não espera e não acredita..."
(Fernanda, 4º Ano A)


"Às vezes, fico triste. Não gosto de conversar. Eu ouço músicas  leves."
(Amauá, 4º Ano A) 



"Às vezes, eu acordo meio desanimada, com mau humor, sem querer olhar para ninguém, mas quando chego na escola o dia fica bom e diferente." 
(Júlia Serradela, 5º Ano A)



Por fim, vale parafrasearmos, respectivamente, Diana Corso e Maxwell Malts:

"Um padecimento qualquer não é uma sentença de vida, é um elemento com o qual se faz o que se consegue"

&

"A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido."

...e nos aquietamos na certeza da transitoriedade. 
Felicidade e tristeza são estados que se alternam para que possamos crescer e aprender.