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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

No meio do caminho havia muita história

Diário de viagem dos alunos da Escola Espaço Criativo 
às ricas terras de Minas Gerais.

Dia 13 de setembro de 2017...
Quarta-feira
Dia I



Hoje fomos em Sabará.
Estudamos a 1ª e a 2ª fase do Barroco Mineiro.
Foi inevitável falar sobre Idade Média, Santa Inquisição e as Irmandades da Santa Igreja.
Também estudamos o ciclo do ouro e todos os processos de extração desse minério... desde a forma mais rudimentar até os modernos meios nos dias de hoje..
Visitamos o Museu da Mineração, que era naquela época (século XVIII) a Casa de Fundição e Intendência. Vimos os cofres fortes, de metal cheio de tachas, as barras de ouro (em réplicas, claro).
Falamos sobre o periodo escravagista e o nosso guia Alexandre recitou ali mesmo, na porta daquela Igreja, em frente à praça... "A Cruz da Estrada",  poema do jovem nobre e corajoso Castro Alves... escrito como uma expiação, sob sentimentos de indignação ... em 1865.
Os meninos contemplaram a obra admirados com sua beleza e atualidade!


O poema é emocionante e nos faz refletir. Diz assim:
"Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.
Que vale o ramo do alecrim cheiroso
Que lhe atiras nos braços ao passar?
Vais espantar o bando buliçoso
Das borboletas, que lá vão pausar.
É de um escravo humilde sepultura,
Foi-lhe a vida o velar de insônia atroz.
Deixa-o dormir no leito de verdura,
Que o Senhor dentre as selvas lhe compôs.
Não precisa de ti. O gaturamo
Geme, por ele, à tarde, no sertão.
E a juriti, do taquaral no ramo,
Povoa, soluçando, a solidão.
Dentre os braços da cruz, a parasita,
Num abraço de flores se prendeu.
Chora orvalhos a grama, que palpita;
Lhe acende o vaga-lume o facho seu.
Quando, à noite, o silêncio habita as matas,v A sepultura fala a sós com Deus.
Prende-se a voz na boca das cascatas,
E as asas de ouro aos astros lá nos céus.
Caminheiro! do escravo desgraçado
o sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o despousou".
Recife, 22 de junho de 1865.




Em meio ao silêncio, na porta daquela Igreja inacabada, Nossa Senhora do Rosário... revivemos um pouquinho do século XVII e  XVIII. Igreja toda construída com mão-de-obra escrava... inacabada por causa das cartas de alforria emitidas após a Lei Aurea, em 13 de maio de 1888.
Foi um instante de reflexão e respeito... pensamos sobre os interesses políticos e econômicos da época. Afinal, o que realmente teria motivado a princesa a promulgar a referida Lei??



Dormimos assim... em meio a aprendizagens e inquietudes. A certeza de um passado usurpador e desumano. Somos feitos de que?



Dia 14 de setembro de 2017...
Quinta-feira
Dia II


Hoje, quando fizemos a viagem de trem de ferro, de Belo Horizonte até Barão de Cocais, observamos atentamente as paisagens e ao final da viagem, separamos um tempo, sentados ao chão , próximos dos trilhos... e aprendemos sobre bioma, vegetação e relevo.
Aprendemos que 1 litro de água pesa 1kg; e 1 litro de ouro pesa 19kg!!!
Aprendemos que na época da 2a Guerra Mundial, saía de Itabira 140 mil toneladas de minério de ferro por ano! O Brasil exportava esse recurso mineral para Alemanha, Canadá, EUA, Japão!
Atualmente, com o avanço da tecnologia, embarcamos nos trens 140 mil toneladas POR HORA!
O Pico do Cauê, antes de alto relevo... hoke se transformou em uma cratera! Um buraco gigantesco, que alterou a paisagem diante dos olhos do poeta.
 Drummond, bom itabirano que era... indignou-se e transbordou assim:
"O maior trem do mundo
Leva minha terra
Para a Alemanha
Leva minha terra
Para o Canadá
Leva minha terra
Para o Japão

O maior trem do mundo
Puxado por cinco locomotivas a óleo diesel
Engatadas geminadas desembestadas
Leva meu tempo, minha infância, minha vida
Triturada em 163 vagões de minério e destruição
O maior trem do mundo
Transporta a coisa mínima do mundo
Meu coração itabirano

Lá vai o trem maior do mundo
Vai serpenteando, vai sumindo
E um dia, eu sei não voltará
Pois nem terra nem coração existem mais".



👓🎒👓O Alexandre recitou este poema do Drummond ao lado dos trilhos do trem!
Momento de reflexão sobre recursos não -renováveis, lei da oferta e procura, capitalismo selvagem.