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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

making off de Realidade inventadA



                                      “A arte existe para que a realidade não nos destrua”
Fernando Pessoa



Sabemos que hoje são múltiplas as realidades e os modos de viver. O nosso mundo contemporâneo pode ser adjetivado como complexo, múltiplo,  rápido, ambíguo, caótico, paradoxal, difuso, incerto... Não nos opomos a isso e nem podemos avaliar como bom ou ruim. Foi essa  realidade que inventamos para viver e viver é bom e belo. Se existir é o  caminho e ser, pressupõe  uma invenção constante, então está em nossas mãos o poder de  criar realidades melhores e mais bonitas.
        

Para algo existir mesmo...
um Deus, um bicho, um universo, um anjo...
é preciso que alguém tenha consciência dele.
Ou simplesmente que o tenha inventado
Mário Quintana


         A arte exerce um papel importante na extensão dessa realidade quando  realimenta o nosso instinto renovador e transformador do real. A criação artística pode envolver não apenas o desenvolvimento de habilidades, mas principalmente exercitar a imaginação para o  desenvolvimento de diferentes e inusitadas possibilidades, que poderão ultrapassar o real e assim renovar o nosso viver.


 “ A imaginação, ao tornar o mundo presente em imagens, nos faz pensar, Saltamos dessas imagens para outras semelhantes, fazendo uma síntese criativa. O mundo imaginário assim criado não é real. É antes, pré-real, isto é, antecede o real porque aponta suas possibilidades ao invés de fixa-lo numa forma cristalizada. Assim a imaginação alarga o campo real percebido, preenchendo-o de outros sentidos.”
Maria Helena Martins. Introdução á Filosofia Moderna 

          
         Quando tornamos o mundo presente em imagens e refletimos, nossa capacidade de “ver” se amplia. Os conceitos e as idéias vão se formando em um campo de analogias, simetrias e contraposições que se alargam suscitando novas e inusitadas possibilidades. 


O peito era maior que o céu aberto.
Parávamos. E sabeis
Que o que contenta mais o peito inquieto
É olhar ao redor como quem vê
E silenciar também como quem ama.
Éramos muitos? Ah, sim
Eram muitos em mim."

Hilda Hist








     

    A criança quando desvela o real por meio de seu olhar inaugural, quando vê  o seu mundo através da sua ótica infantil, é naturalmente capaz de subverter ou reinaugurar a aparente ordem das coisas  do mundo adulto, da sociedade contemporânea e da vida atual. Crianças são doutoras em “invencionices”, sabem como ninguém ser “arteiras” e estão sempre a reinventar o cotidiano, são livres para experimentar diferentes possibilidades.












“A arte pode elevar o homem de um estado de fragmentação a um estado de ser íntegro, total. A arte capacita o homem para compreender a realidade e o ajuda não só a suportá-la como a transformá-la, aumentando-lhe a determinação de torná-la mais humana e mais hospitaleira para a humanidade. A arte é uma realidade social. A sociedade precisa do artista, este supremo feiticeiro, e tem o direito de pedir-lhe que ele seja consciente de sua função social. Mesmo o mais subjetivo dos artistas trabalha em favor da sociedade. Pelo simples fato de descrever sentimentos, relações e condições que não haviam sido descritos anteriormente [...], representa um impulso na direção de uma nova comunidade cheia de diferenças e tensões, na qual a voz individual não se perde em uma vasta unissonância.”
(Fischer in A Necessidade da Arte.)

        Imbuídos de um olhar infantil que interpela os sentidos, desloca significados, e perturba o conhecimento do mundo que nos é familiar, estamos sempre trabalhando a nossa transgressão criadora através de experimentações artísticas.