segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sobre meninos e Lua

Com livros a gente pode experimentar tempos, lugares e pessoas...
Dia desses visitamos a lua.
Odilon Moraes a trouxe para nós 
grande e bonita, 
no seu livro: 
Já na capa encontramos pistas do que iríamos viver no seu interior:
Mergulhamos em um céu imenso e fomos recolhendo sinais e suspeitas.
"Acho que essa lua é vizinha de muitas estrelas!"
"Acho que ela é nova e cheia!"




As páginas se abriram e surgiu uma história em letras e desenhos.
Coisa mais linda...
Ficamos enluarados de beleza.


Visitamos a lua 
e a suas brincadeiras com o menino Pedro.


Nossos olhos se encheram de sentidos...


  e fizeram brilhar no escuro 




a alegria,



   o medo,




amor,


e a saudade...



Daí quisemos compartilhar o enredo 
e tudo que vivemos a partir dele...



Atividade Literária do Agrupamento de 4 anos, Profª Paula

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Edgar Morin - O arquiteto da complexidade


Sociólogo francês propõe a religação dos saberes com novas concepções sobre o conhecimento e a educação


Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica entre capitalismo e comunismo nas relações internacionais. Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 87 anos, percebeu que a maior urgência no campo das idéias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe o conceito de complexidade.


Ela é a idéia-chave de O Método, a obra principal do sociólogo, que se compõe de seis volumes, publicados a partir de 1977. A palavra é tomada em seu sentido etimológico latino, "aquilo que é tecido em conjunto". O pensamento complexo, segundo Morin, tem como fundamento formulações surgidas no campo das ciências exatas e naturais, como as teorias da informação e dos sistemas e a cibernética, que evidenciaram a necessidade de superar as fronteiras entre as disciplinas. "Ele considera a incerteza e as contradições como parte da vida e da condição humana e, ao mesmo tempo, sugere a solidariedade e a ética como caminho para a religação dos seres e dos saberes", diz Izabel Cristina Petraglia, professora do Centro Universitário Nove de Julho, em São Paulo.

Para
o pensador, os saberes tradicionais foram submetidos a um processo reducionista que acarretou a perda das noções de multiplicidade e diversidade. A simplificação, de acordo com Morin, está a serviço de uma falsa racionalidade, que passa por cima da desordem e das contradições existentes em todos os fenômenos e nas relações entre eles.



Pré-história do saber
Acima de tudo, o sociólogo francês defende a introdução da incerteza e da falibilidade na rigidez cultural do Ocidente. As limitações causadas pela compartimentação do conhecimento, de acordo com o educador, são responsáveis por manter o espírito humano em sua pré-história. Além disso, a tendência de aplicar conceitos abstratos vindos das ciências exatas e naturais ao universo humano resulta em desconsideração por aspectos como o ambiente, a história e a psicologia, entre outros. 






Um exemplo, diz o pensador, é a economia, a mais avançada das ciências sociais em termos matemáticos e a menos capaz de trabalhar com regularidades e previsões.





A Era da Incerteza


O início do século 20 foi marcado por duas revoluções científicas: a teoria da relatividade de Albert Einstein (1858-1947) e a mêcanica quântica de Max Planck (1879-1955). Ambas obrigaram a humanidade a rever doutrinas e tiveram aplicações nas mais diversas áreas, da filosofia à indústria bélica. A teoria quântica, por exemplo, derrubou certezas da Física e as substituiu pela noção de probabilidade. A relatividade pôs em questão os conceitos de espaço e tempo. Para completar, na termodinâmica, Niels Bohr (1885-1962) chegou à necessidade de tratar as partículas físicas tanto como corpúsculos quanto como ondas. Quando tudo parecia incerto e relativo, a teoria do caos, já na segunda metade do século, veio, de certa forma, na direção oposta, ao demonstrar que também nos sistemas caóticos existe ordem. Essas e outras reformulações do conhecimento humano levaram Morin a definir sete "princípios-guia" da complexidade, interdependentes e complementares. São eles os princípios sistêmico (o todo é mais do que a soma das partes), hologramático (o todo está em cada parte), do ciclo retroativo (a causa age sobre o efeito e vice-versa), do ciclo recorrente (produtos também originam aquilo que os produz), da auto-eco-organização (o homem se recria em trocas com o ambiente), dialógico (associação de noções contraditórias) e de reintrodução do conhecido em todo conhecimento.







Para recuperar a complexidade da vida nas ciências e nas atividades humanas, Morin recomenda um pensamento crítico sobre o próprio pensar e seus métodos, o que implica sempre voltar ao começo. Não se trata de círculo vicioso, mas de um procedimento em espiral, que amplia o conhecimento a cada retorno e, assim, se coaduna com o fato de o homem ser sempre incompleto – o aprendizado é para toda a vida. "A reforma do pensamento pressupõe a consciência de si e do mundo", diz Izabel Cristina. "Ela decorre da reforma das instituições e vice-versa."




Nos processos em espiral, é necessário conhecer os conceitos de ordem, desordem e organização. Do ponto de vista da complexidade, ordem e desordem convivem nos sistemas. O que diferencia o todo da soma das partes é o que Morin denomina comportamento emergente. Nos seres humanos, a dinâmica entre ordem e desordem se subordina à idéia de auto-eco-organização: a transformação extrapola o indivíduo, se estendendo ao ambiente circundante. Uma vez que tudo está interligado, a solidariedade é tida pelo sociólogo como peça fundamental para superar aquilo que denomina crise planetária – uma situação de impotência diante de incertezas que se acumulam.


Quer saber mais?
A Cabeça Bem-Feita, Edgar Morin, 128 págs., Bertrand Brasil, tel. (21) 2585-2000, 25 reais
A Religação dos Saberes, Edgar Morin, 588 págs., Ed. Bertrand Brasil, tel. (21) 2585-2000, 69 reais
Edgar Morin - A Educação e a Complexidade do Ser e do Saber, Izabel Cristina Petraglia, 120 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2246-5552, 20 reais
Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, Edgar Morin, 118 págs., Ed. Cortez, 22 reais 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A linguagem do desenho




"O desenho, enquanto linguagem, requisita uma postura global. Desenhar não é copiar formas, figuras, não é simplesmente proporção, escala. A visão parcial de  um objeto nos revelará um conhecimento parcial desse mesmo objeto.  Desenhar objetos, pessoas, situações, animais, emoções, ideias, são tentativas de aproximação com o mundo. Desenhar é conhecer, é apropriar-se."





"A linha, elemento essencial da linguagem gráfica, não se subordina a uma forma que neutraliza suas possibilidades expressivas. A linha pode ser uniforme, precisa e instrumentalizada, mas também pode ser ágil, densa, trepidante, redonda, firme, reta, espessa, fina, permitindo infindáveis possibilidades expressivas."   







O desenho é a memoria visível do acontecido. Fotografia mental, emocional e psíquica. 






Jogar, projetar, arriscar, inventar novas leis de organização de espaço
e tempo.



O desenho constitui para a criança uma atividade total, englobando o conjunto de suas potencialidades e necessidades. Ao desenhar, a criança expressa a maneira pela qual se sente existir.



A criança reinventa todo o processo de aquisição de conhecimento por que passou a humanidade:
desde o manejo de instrumentos, como a colher, a faca, o lápis, até conquistas intelectuais, como a capacidade humana de abstrair, corresponder, conceituar.


A criança é extremamente fiel aos seus desejos e necessidades o que confere um tom de veracidade a todos os seus gestos.






A garatuja não é simplesmente uma atividade sensório-motora, descomprometida e ininteligível. Atrás dessa aparente "inutilidade" contida no ato de rabiscar estão latentes segredos existenciais, confidências emotivas, necessidades de comunicação.









A criança olha para o lápis e não sabe de onde nasceu a linha: se foi da mão,
do lápis 
ou do fundo do papel.





A criança rabisca pelo prazer de rabiscar, de gesticular, de se afirmar. 









Quando desenha no papel o objeto que existe fora dela, a criança interage com ele, com o lápis, a cor, o chão, a parede, ligando a sua ação com os mais diversos movimentos corporais: exclama, canta, balança ou até manifesta o silêncio. A criança promove uma comunhão entre ela e o meio, entre ela e o cosmos. 







Tal como o instrumento é o prolongamento da mão, o mundo é o prolongamento do corpo. A relação física e sensorial que a criança estabelece com o desenho possibilita a experiência de novas realidades.








A criança em suas garatujas, obedece às  suas necessidades afinando com um desejo de significação e afirmação de seu ser no mundo.







A criança, num determinado momento, percebe que tudo aquilo que está depositado no papel partiu dela. Não lhe foi dado, foi inventado por ela mesma. Inaugura-se o terreno da criação.






O dinamismo, a flexibilidade, e a transitoriedade do movimento se manifestam na pontinha do lápis, transformando a criança num ente criador, que se projeta na sua obra. No ato de desenhar, a criança é o papel, o lápis, a linha, o objeto, a pontinha que contactua e mergulha nesse universo anímico e mutante. 
Desenhar concretiza material e visivelmente a experiência de existir.







O desenho, fábrica de imagens, conjuga elementos do domínio da observação sensível do real e da capacidade de imaginar e projetar, 
vontades de significar.



O desenho configura um campo minado de possibilidades, confrontando o real, 
o percebido 
e o imaginado.










A arte não imita o visível, 
torna visível.






O desenho, como exercício do desejo, se transforma em manifestos de identidade.





A capacidade de imaginar é de suma importância para o conhecimento, incluindo o conhecimento científico.
Imaginar é projetar, é antever, é a mobilização interior orientada para determinada finalidade antes mesmo de existir a situação concreta.



O desenho é o manifesto de si mesmo.
O artista cria a si próprio ao criar o mundo 






A criação é um existir ainda não existido.





O papel é território livre e sem lei.






Uma  imagem que sempre me vem na cabeça,
quando desenho ou vejo outras pessoas desenharem,
é de que a linha é um ser vivo e sonhador.
Quando um lápis, ou uma pena ou uma caneta, movidos por uma vontade, começam a percorrer a superfície branca do papel e nesse serpentear mágico,
principia a criar riscos, garatujas, construções, seres, mundos,
é como se a linha estivesse sonhando tudo aquilo.... 


Texto: Edith Derdyk - Formas de pensar o desenho.
Fotos: Bárbara Sant'anna