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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sobre ser pai

“Criança sofre muito. É todo um processo de civilização, de coerção e de enquadramento em cima delas. E isso é uma agressão violenta. Quando ouço alguém dizer que a infância foi a parte mais feliz da sua vida, olho com muita desconfiança. Deve ter sido tão terrível que nem se lembra”.
 Fernanda Montenegro




Sabemos da importância de ser pai. No entanto, mais importante do que ser pai biologicamente, é o ato de exercer essa função, tão nobre. Função esta que pode ser exercida pela mãe, pelo avô e por outras pessoas que dedicam seu carinho e cuidado à criança.


Não raro, os pais se pegam refletindo sobre sua função paterna, nesses momentos veem à tona questionamentos como: sou um bom pai? Consigo suprir as necessidades do meu filho? Estas e outras dúvidas se fazem manifestas.


Conceitos como bom ou ruim... na verdade são individuais e dentro de uma mesma família, os atributos para se atingir o que é bom, pode mudar . Muitas vezes, o conceito de “bom pai” limita-se às ações de provisão, em relação à família. Ato importante, mas com certeza, insuficiente para o desenvolvimento integral da criança.


Em comemoração ao Dia dos Pais, o corpo docente de nossa Escola escolheu a canção “Sapato 36” de Raul Seixas, lançada em 1977, no álbum “No dia em que a Terra parou”, em nossa opinião, uma das músicas mais geniais do artista. 


A canção faz uma analogia ao momento político vivido pelo país, na época em que foi escrita. O que percebemos é que a música ainda se mostra bem atual, assim como as canções de Renato Russo, do grupo Legião Urbana. O que Raul está dizendo, metaforicamente, é a necessidade de não sermos conformistas e de sustentarmos um pensamento revolucionário muito bem embasado. 


Ensinamos todos os dias para nossas crianças que elas são diferentes... e que é justamente esta diferença que os tornam especiais, enriquecendo nossa Aldeia, nossa cidade, nosso planeta. Ao contrário de uma mensagem caótica e rebelde, Raul nos traz maturidade e demonstra autonomia de pensamento, justamente o que almejamos para as crianças do Espaço Criativo.



Não esperamos crianças com “respostas prontas”, no conformismo, dizendo ao professor, na ponta da língua conceitos conservadores do que é bom, belo e correto, por outro lado, rechaçando o que é ruim, feio e mal. Antes de qualquer coisa, é preciso questionar! Fazer o exercício da reflexão, tanto para concordar quanto para discordar de uma ideia. Este rigor de pensamento é o que esperamos de uma nação madura... pois é justamente a ausência dessa autonomia de pensamento e maturidade que tanto reclamamos de nossos compatriotas, nos momento de exercício da democracia, como nas eleições.



“Vou escolher meu sapato e andar do jeito que eu gosto”, ou seja, vou fazer exatamente o que acho melhor para mim e para a coletividade, arcando com as consequências de minhas próprias escolhas.