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domingo, 5 de junho de 2016

“Vida, Verde e Futuro"

"Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola."
Manoel de Barros

“Vamos salvar a ecologia?” “Salve o verde!” “Respeite a natureza”... Frases como estas ouvimos todos os dias, principalmente nos meios de comunicação de massa. São expressões, no entanto, que na maioria das vezes vêm nos indicar o modismo com que são tratadas as questões relacionadas ao meio ambiente.




Ecologia tornou-se moda. Mas será que a Ecologia ou meio ambiente dizem respeito somente à natureza? Nós, como educadores, devemos explicar apenas como funcionam os ciclos naturais e incentivar nossos alunos a respeitarem a natureza, ou ensinar a fotossíntese e comemorar o Dia da Árvore?



Sabemos que isso não basta. Sim, precisamos ir além no trabalho de educação escolar. A preocupação com a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida tornou-se algo cotidiano e a Educação Ambiental se apresenta como um campo de estudos preocupado com a formação de pessoas conscientes do planeta em que vivem. Quando trabalhamos a Educação Ambiental, não significa que devemos apenas falar sobre meio ambiente, mas sim abordar as complexas relações de interdependência entre os diversos elementos da natureza – da qual fazemos parte e somos capazes de conhecer e transformar – assim como, também, é preciso entender que nós não nos relacionamos com a natureza apenas como indivíduos, mas principalmente por meio do trabalho e de outras práticas sociais e que, portanto, as relações de todos nós com ela têm dimensões econômicas, políticas e éticas.



Todos os dias nos vemos frente a evidências de alterações graves no equilíbrio ambiental, com consequências quase sempre negativas para os seres vivos. E isso não se refere apenas a questões físicas (poluição atmosférica, alterações climáticas etc.), mas também a questões sociais (super população e problema da fome, por exemplo). E nos perguntamos: aonde iremos chegar se continuarmos agindo da mesma forma que o fizemos até aqui, com base nas mesmas concepções?



Como professores e responsáveis pela educação de crianças, nos sentimos duplamente comprometidos com esta situação: além do compromisso, como cidadão, de cuidar do ambiente em que vivemos para que as novas gerações também possam nele viver e satisfazer suas necessidades, questionamo-nos sobre o nosso papel no processo de conscientização e sensibilização dos alunos, para que eles possam, não só continuar cuidando, mas avançar na forma de se relacionar com o ambiente.



Não visamos apenas oportunizar a construção de conhecimentos sobre o tema - sobre o ambiente, seus problemas e necessidades -, mas construir posturas e formas alternativas de relação com ele, na perspectiva de rever o modelo de desenvolvimento que nossa sociedade criou, entendendo a complexidade das inter-relações que acontecem neste processo. Devemos, ainda, promover “experiências significativa de vida” e movimentos coletivos que tratem de buscar formas de resolução dos problemas “de verdade”, através da vivência, junto com o estudo e a reflexão, valores e posturas de sensibilidade, solidariedade, cidadania responsável e cooperação, bem como capacidades de formular perguntas e problemas, de observar e pesquisar, de trabalhar em equipe e de buscar ou criar soluções. Assim, para além de estudos teóricos, são necessárias pesquisas de campo, ações práticas, acreditando que precisamos não só desenvolver “consciência”, mas atitudes/comportamentos ambientais.




O desejo de viver em um mundo melhor, mais pacífico, fraterno e ecológico é universal. Entretanto, percebemos que as pessoas sempre esperam que esse mundo melhor comece “no outro”. Por exemplo: preferem esperar que um vizinho ou amigo convide para plantar uma árvore ou começar uma coleta seletiva de lixo, em vez de tomar a iniciativa. Há também os que acham mais fácil reclamar que ninguém ajuda ou que o poder público não age, mas não se perguntam se estão fazendo a sua parte em defesa do nosso planeta.


O convite hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente, é que comecemos agora! Verde é a chance de vida do futuro. Vamos juntos?